sexta-feira, 31 de julho de 2009

O mundo já é uma pilha de computadores : e-waste em foco



Computadores, celulares, pal-tops, pendrives e entre outras parafernálias tecnológicas, fazem parte de nosso cotidiano cada vez mais intrínsecas, ou seja, de forma que não consigamos mais dissociar de nossos trabalhos ou relações interpessoais sem que os façamos por meio desses.
Como já abordado o conceito de Obsolescência Programada, reforça-se uma premissa maior, sendo a do descarte indiscriminado seja qual for o material, acelerando a questão do acúmulo desses em aterros não controlados diretamente, em fundos de garagens ou em outras mãos, caindo em uma cadeia reversa secundária até exaurir a vida útil desses bens, os chamados e-waste’s. Lançando-se mão desse conceito, vem à tona a questão da extrema nocividade que esses materiais tecnológicos (em especial) podem trazer ao meio ambiente, em razão de compostos químicos como Níquel, cádmio e outros metais pesados que possam degradar lençóis freáticos ou mesmo a saúde daqueles que ganham a vida desmontando tais em busca de componentes que tem potencial de reuso.
Há muito se sabe que os maiores desenvolvedores de tecnologia mundiais são a América do Norte, com o seu famoso vale do Silício, e parte do continente Europeu, nas regiões próximas ao porto de Roterdã ao sul da Holanda. Alguns dados revelam o potencial do leste europeu, que no período de 1995 à 2005 houve um aumento dos investimentos da ordem de 27 bilhões de dólares por ano, mais tarde havendo o aparecimento de empresas como Microsoft, Sony Ericsson, Hewlett-Packard e até mesmo a Nokia no início de abril de 2007, anunciando investimento de 80 milhões de dólares na construção de uma fábrica de celulares na Romênia, país pertencente ao antigo quadro das ex-repúblicas socialistas, como também é exemplo a Eslovênia.
Fluxo Mundial Incidente
Dentro dessas realidades econômicas apresentadas até então, observa-se o fator social como agravante das discrepâncias entre produção, consumo e despejo do fluxo tecnológico que percorre o mundo. Partindo desse princípio, os países denominados desenvolvidos ou de 1º mundo (como eram chamados desde o período da Guerra Fria), são os maiores desenvolvedores de tecnologia mundiais, enquanto na contramão, encontram-se os países denominados em desenvolvimento, conjuntamente com os subdesenvolvidos, como os maiores receptores dessas e da própria sucata gerada por essa relação. Sendo assim, emergem a luz das idéias casos como Brasil, Índia e China na dependência desse desenvolvimento tecnológico, no caso chinês temos como exemplo a cidade Guiyu, próxima de Hong Kong, que importava anualmente 1 milhão de toneladas de computadores, impressoras e aparelhos de fax (VEJA on-line 2002) no ano de 2002, número que pode consideravelmente ter subido durante esse lapso até hoje. Essa mesma cidade revela uma cena muito inusitada, sendo a de crianças, jovens, adultos até idosos emaranhados no meio de monitores, celulares, mouses e câmeras digitais em busca de componentes que ainda podem lhes render algum valor, sendo que esse negócio emprega 100.000 pessoas e movimenta 120 milhões de dólares por ano em Guiyu, o mais agitado centro de reciclagem de lixo eletrônico do mundo.
Porém, não é somente em Guiyu que essa pratica se realiza, em Nova Déli na Índia acontece da mesma forma, mas com intensidade um tanto menor. Visto isso, conclui-se que países com baixos índices de desenvolvimento veem na reciclagem desses materiais eletrônicos, uma porta de saída para a geração de valor extremamente informal, já que com seus potenciais econômicos não conseguem grandes representatividades a nível mundial.
Abrindo-se um pequeno parêntese nessa questão do oportunismo das potencias mundiais em detrimento dos outros países, a Índia, dentre outros problemas, sofre com o mercado negro de órgãos afligindo a sua população dia após dia. Por fatores de renda per capta familiar, muitos indianos se comprometem com aliciadores na venda de seus rins em troca da garantia de sua própria subsistência por meio do dinheiro, que muitas vezes é um valor consideravelmente irrisório frente ao ato praticado. Logo após essa violência física e moral, esses órgãos se dirigem as mesmas “superpotências” desenvolvedoras de tecnologias, para atenderem uma demanda que pouco se importa com a situação indiana, mas que vai poupar mais uma vida desse mesmo grupo.

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